segunda-feira, 9 de abril de 2012

Enfrentando o L U T O

Por Fredh Hoss   Postado As  4/09/2012 06:05:00 PM   Cerimonial Sem Comentários

                       15h de 9/4/12 por Fredh Hoss
Cuidar de cada cerimonial  com sua devida pompa e circustância. E se a circunstância for um cerimonial de velório? Antes do sepultamento é um costume necessário também para se dar acolhimento aos que sofrerão a perda de modo mais contundente. As horas de necessidade assim como chamo, vão além do acompanhamento do féretro. As religiões do mundo tem dado este acolhimento nos últimos séculos. Período em que a sociedade se dividiu, bem mais que na atualidade, em disputas até violentas para defesa de credo e religião, fé e ritualismo. Portanto a família estando sob o estado da mesma graça religiosa, recebe seu ministrante religioso para dirigir esta cerimônia. Seus atos são pré-estabelecidos pela eclésia e seus fundamentos seguidos pelo colégio de ministros e encarregados. 
"Não mais neste século, neste tempo, sob as mesmas ordens". O desenho mundial da sociedade nunca antes esteve sob tamanha profusão religiosa. Experimentos cerimoniais sob a proteção do ecumenismo mesmo entre igrejas cristãs, como usurpam seu significado religiosos tendenciosos já mostraram sua mácula. De acordo com o dicionário Priberam da Língua Portuguesa ecumenismo s. m.Tendência para a união de todas as igrejas cristãs numa só.
Então as religiões que não professam o cristianismo sofrerão. Não são mais em número desprezível. Ainda fere ver igrejas defenderem esta ordenação ecumenica desde que o rito a ser pregado satisfaça unilateramente o lado mais politizado. Aqui apenas defendo a unidade pela perspectiva social. Comunhão regida pelo discurso não religioso, apolitico e livre da influência que permea a subjugação. Uma cerimônia pela verdadeira comunhão em sua participação comum, por sua uniformidade em idéias, opiniões, sentimentos, primaz em acordo e harmonia. Na morte encontramos comunhão.

Enfrentando o LUTO
            Muito já se estuda a respeito das nossas reações diante da perda. Sendo uma pessoa próxima, parente ou não nos afeta. O grau de familiaridade com a pessoa, a admiração ou mesmo veneração, fazem com que essa perda seja pessoal e ainda mais dolorosa. Em algumas situações a perda equivale à queda do mito do super-herói ou heroína, imortalidade perdida.
            É muito difícil aceitar o fim da vida, único verdadeiro e mais precioso bem que possuímos. Sim, a vida daqueles que tanto amamos é um pouco a nossa própria vida. Espelhamos-nos em nosso semelhante e especialmente naqueles que admiramos com devoção. Poderíamos até medir o quanto o próximo nos é importante, ainda mais quando é familiarizado, aparentado, consanguíneo, cônjuge, eles estão sempre em nossos pensamentos, são exemplos e vivem fazendo-nos companhia, validando nossa visão e pensamento sobre a própria vida.
            Como enfrentar então o falecimento dessa pessoa tão importante? E quando quem faleceu é ainda mais importante para alguém muito próximo a nós? Como deveremos agir? Ficamos ainda mais confusos, quando assumimos a obrigação de repartir com a pessoa sua dor. Surge um sentimento de culpa por não sentirmos a mesma dor. O que fazer?
            Entendermos como processamos esse momento ajudará no desenvolvimento da paciência com os sentimentos que o luto revela. Para cada passagem há mudanças também fisiológicas, hormonais, psicológicas e físicas. Sobre estas estruturas de mudanças não aprofundarei aqui sobre suas premissas, mas é fundamental saber que elas existem. Vamos às estruturas que chamo aqui de reativas. Estas reações se desencadeiam do primeiro momento noticioso e desenvolvem-se com maior ímpeto entre o 5º e 14º dia após o féretro sepultado.
1)            Negação ou sentimento de irrealidade
Neste primeiro momento é comum observarmos nossa necessidade de constatação do fato de nossa perda. E essa necessidade é a mesma que outros, os mais próximos ao falecido(a) sentem. Ouve-se o questionamento; Você viu o que aconteceu? Dá pra acreditar? Estivemos juntos há tão pouco tempo. Não dá pra acreditar? Como pode ter acontecido isso?
2)            Choque
Agora já com o fato aceito e constatada a realidade, logo após algumas primeiras decisões de providências terem pesado sobre o fato, o choque. Ouve-se uma profusão de sentimentos; Como foi acontecer isso comigo? Porque você se foi? Como posso viver agora? Não aceito, porque você foi me deixar? Nesse estágio é possível que alguém chame pelo falecido(a), converse e brigue com ele(a), e também brigue com quem tenta consolar. No choque é onde a verdade parece uma catástrofe irreal, mas de fato ocorrida. No momento pode-se ver esta explosão ou acontecer de forma direta uma passagem silenciosa do enlutado(a) tendendo este ir à paralisação.
3)            Paralisação
Há uma preocupação inerente a esse estágio, a saúde do enlutado(a). Os comentários sobre o(a) falecido(a) à pessoa enlutada parecem não serem ouvidos. Padece-se de um torpor, não se quer comer, beber, descansar, tomar banho, apenas busca-se ficar quieto. Há um desligar parcial que impede o sentido de continuidade. Esse estágio se prolongado prova-se mais forte que a vontade de viver, portanto merece atenção, vigília, cuidados e respeito. Durante esse período pode haver um despertar de traumas passados ou indistintas associações antagônicas à própria realidade. Com cuidado e empatia deve-se tentar entender o que se passa com cada um, é muito particular caso a caso quem e como se poderá ajudar o(a) enlutado(a).

4)            Reação de esquiva
Evitar o assunto não evita a dor. Tendo ultrapassado o estágio do torpor ou o mesmo não tendo ocorrido, em geral apresentaremos uma reação de esquiva. Esquivar-se de falar sobre a realidade da perda desprotege o emocional já fragilizado do enlutado(a). Repete-se a mesma necessidade de com cuidado e empatia tentar entender o que se passa com cada um, é muito particular caso a caso quem e como se poderá ajudar o(a) enlutado(a). À escolha se dará por afinidade, confiança, intimidade. O enfrentamento da realidade deve acontecer e a esquiva deixará de ser atrativa a quem sente a dor do luto, pois encontrará porto seguro naquele(a), que souber pacientemente cultivar caminho seguro ao coração do(a) enlutado(a). Em geral diz-se que a pessoa precisa desabafar, por para fora o que está sentindo.
5)            Aumento do sentimento de religiosidade pós-situação de doença e morte
Uma realidade comum e até incentivada por religiosos. Aqui apenas a prudência de não impingir uma nova crença ou nova fé à pessoa enlutada já será de grande auxílio para saber como agir. É bom evitar grandes pregações mesmo que o ambiente tenha equanimidade de religiosidade, evite exaurir as forças e a paciência das pessoas ali reunidas. Nunca permita que pessoas despreparadas se apresentem em ato de fé, discursos ou qualquer representação. Qualquer gafe será ainda maior e poderá aumentar à dor o constrangimento. Faça apenas o que for de sua crença e fé, se era costume missas e cultos continuem, se grupos de orações e novenas continuem, aceite uma maior frequência, mas não incentive aceite ou permita. Influências agora que está suscetível podem se revelar oportunistas. Nada lhe impede que mude sua crença e seu costume se houver atração para fazê-lo, sugiro que apenas espere mais algumas semanas para realizá-las. Se algo der errado, sua fé estará abalada, então seja cauteloso(a).
6)            Revolta com a religião
Imagine ouvidos irônicos a qualquer palavra de esperança? Explicações misteriosas oriundas de um Deus invisível trariam o morto à vida? Esse é o clima interno que a pessoa em sofrimento vive ao se revoltar com a religião, ironizando tudo e apresentando sua dor por meio da revolta. Em geral é imputado àquele(a) que sofre e se encontra em revolta com a sua religiosidade culpa de pecado. Esse julgamento gerará ainda mais e maior revolta. Sugiro que assuntos sobre validade religiosa não sejam discutidos. Se o(a) enlutado(a) quer desabafar essa revolta ouça com paciência, mesmo que não concorde não a refute, tente compreender o momento em que a pessoa se encontra. Principalmente imagine-se no seu lugar, você diante de tamanha perda veria com bons olhos a “esperança”?
7)            Culpa relacionada à capacidade de cuidar
Convivendo com a pessoa. Durante o passar do tempo e dos dias que seguirão à morte, os mais próximos terão surtos de lembranças e estas por sina, serão lembranças detalhadas, de momentos de convivência com a pessoa que se foi. Virão à tona assuntos pendentes interpessoais, de foro íntimo, saúde, trabalho, segurança financeira e ainda outros. Todos estes assuntos criando a questão do será que fiz ou foi feito o máximo ou todo o possível ou ao alcance para ajudar, cuidar, ouvir, entender a pessoa que agora jaz morta. “A culpa é minha”. Um flagelo pessoal para que talvez se dê uma resposta à altura da dor. O que fazer? Sugiro que com paciência ouça essa lamentação e conforme a pessoa em sofrimento permitir lhe faça perguntas sobre suas próprias palavras. Tenha cuidado e bondade, a palavra no tom e na medida certa lhe caberá bem.
8)            Rigidez para aceitar mudanças pós-morte
É comum alguém ter de assumir tarefas, obrigações, responsabilidades pessoais após a perda de uma pessoa próxima. Tão comum quanto uma viúva ter que cuidar sozinha das fianças ou tomará agora todas as decisões da família e estará sozinha para fazê-lo. Sendo no caso obrigações tuas que a pessoa lhe fazia ou obrigações dela que agora ficaram em suas mãos, não há meio de fugir desse enfrentamento. Quanto maior a resistência maior o prejuízo. Lembre-se que não tomar nenhuma decisão já é uma grande decisão tomada. Se não souber ou não quiser fazer; se não consegue aprender ou não há como conciliar à sua vida mais essa tarefa, ache alguém que faça, contrate uma empresa ou um profissional que resolva, não adie. E se a rigidez às mudanças for de não abrir mão do quarto, das roupas, objetos pessoais, hábitos que partilhavam? Lembre-se a dor não é o problema, dor é um sintoma da perda. Todos estes desdobramentos após a perda são reações à dor. Se não houvesse a dor como encararia a perda, o fato? Aquela pessoa não estará mais presente, manter uma realidade inadequada à realidade poderá apenas fazer com que a dor se perpetue. A boa lembrança de como a pessoa era em suas atitudes, seus sentimentos, suas opiniões e doutrinas, seu bom e mau humor é mais importante que qualquer manutenção de mundo onde ela não estará mais presente. A vida mudará com a ausência da pessoa faça-as de maneira gentil, elas podem levar um tempo, mas deverão ocorrer, vá se desapegando aos poucos. A rigidez, teimosia e até a certa arrogância sobre como encarar os dias sem a pessoa que morreu poderá tornar a vida uma via dolorosa além do necessário, do real.
9)            Aparecimento de doenças depois da morte
Descobertas ou causadas. Esta é a pior das pinturas sobre a vida após perdermos um ente querido.
Durante um tempo tive um comércio de alimentos e das muitas famílias que se serviam de nossos produtos muitos eram os clientes que vinham até nosso balcão. Dona Maria de Lurdes era uma senhora já dos seus cinquenta e seis anos que ainda trabalhava lavando e arrumando pra fora. Morava em uma das casas mais humildes do bairro, somente ela na companhia de um filho de 30 anos. Esse o Zito, já estava entregue à bebida ao longo de muitos anos. Veio a falecer em uma crise aguda de cirrose. A mãe só fez chorar e chorava aos gritos no dia em que enterrou seu filho. Nos dias que se seguiram após a morte não houve um dia que não a visse em meu balcão. Dona Maria de Lurdes ainda chora, todos os dias, todas as horas do dia. No terceiro dia senti ao cumprimenta-la um odor etílico. Perguntei como estava e ela respondeu que o que sentia era vontade de ir com seu filho. Ali me pareceu muito mais sincera que quando aos gritos no cemitério tomou gosto pela ideia. Os dias seguintes foram da mesma atitude com uma intensidade que só aumentou. Tentei lhe ouvir, lhe falar e nada dissuadia a ideia de se encontrar com o filho. A vida sozinha não a interessava. No décimo sexto dia ela não apareceu, não foi buscar a mistura da janta que nem lhe cobrava mais na intenção que presenteada pelo menos se alimentasse. Com vinte dias da perda de seu filho Dona Maria de Lurdes foi encontrada morta em sua cama. O féretro foi acompanhado da capela do cemitério da Saudade por poucos parentes e alguns amigos. Dona Maria de Lurdes se matou de tristeza na alegria da esperança de rever seu filho o único que lhe foi companhia fiel até a morte. Sou testemunha disso.
Consultas foram realizadas nos sites  http://www.wikipedia.org/http://www.priberam.pt/dlpo/
Sobre o autor. 

Sobre Fredh Hoss

O Celebrante de Casamentos Sociais pioneiro no Brasil. Celebrações pessoais onde a personalidade do casal é repeitada e a personificação do discurso exalta a mensagem que o casal de noivos inspira.

- Socio fundador da empresa  HV7 Cerimonial que atua na área de Produção de Eventos. Agência consagrada pelo casting de profissionais da Voz, MC, Locutores, Atores, formados por profissionais experimentados e aprovados.
CELEBRANTES SOCIAIS DE CASAMENTO. COM OU SEM EFEITO CIVIL
- Fredh Hoss é notório por atender a noivos que querem uma cerimônia como manda o figurino, mas com a personalidade dos dois.
Celebrante de casamentos há mais de 10 anos, com oratória objetiva mas sem perder o romantismo atende um amplo espectro confessional.
Saiba mais!! www.hv7cerimonial.com.br 
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Para falar com o autor escreva para fredh@hv7cerimonial.com.br

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